Nasci em 28 de março de 1985 em Guarulhos/São Paulo.Com 3 anos de idade fui adotada por uma família linda, na época minha mãe trabalhava muito e não tinha condições 'naquele momento' de me criar.
Tive uma infância muito feliz, como qualquer criança da minha idade. Sempre soube que era adotada e não me importava com isso. Minha mãe me dizia q os outros filhos vieram da barriga e que eu tinha vindo do coração.
Minha mãe depositava toda sua confiança e esperança em mim, cresci uma menina inteligente, gostava de estudar, não tinha tantos amigos, era um pouco introvertida.
Eu era muito feia e magrelinha, cabelinho duro, na época curto... Nas brincadeiras de 'salada mista' na Escola, eu era a garota que sempre fechava os olhos do pessoal, nunca participei efetivamente, pq eu tinha medo e sabia que ninguém ia querer me beijar, claro.
Eu sempre fui muito seletiva com os meus amigos, não tinha tantos amigos mas amava os que eu tinha.Tinha gente que se aproximava de mim só pra fazer o trabalho da escola, rs.
E assim me tornei adolescente... Ainda magrela, cabelos rebeldes e terríveis, usava duas calças para parecer mais 'gordinha'. Como eu não tinha muita sorte 'no amor'rs, resolvi me focar nos estudos. Comecei a estudar informática com 15 anos e trabalhar tbm. O inicio do meu trabalho se deu de forma trágica rs.
Um belo dia minha mãe me deu o dinheiro para pagar a mensalidade do meu colégio q na época (2000) era R$150,00 pq eu era bolsista. Lá vai eu pagar a mensalidade no dia do vencimento, se eu não pagasse aquele dia perderia o desconto. O banco fechava as 16:00 e eu fui as 15:45. as 15:30 qdo fui questionada se tinha pago, eu disse que sim! Foi a pior coisa q fiz, comecei mentindo. Corri para o banco pra pagar e qdo chego o q aconteceu? Perdi o dinheiro. Perdi 100,00. Na hora senti um turbilhão de emoções e várias perguntas me vinham a cabeça? E agora, como vou contar? Como vou conseguir o dinheiro? O que minha mãe vai fazer se souber? Nesse dia deu tudo errado. Até cair do ônibus em movimento, eu cai, caí praticamente de cara no chão, o motorista fechou a porta enquanto eu descia, meu pé ficou preso e ele ia partir com o ônibus, a sorte é que tinha mtas pessoas no ponto que gritaram e xingaram, até ele abrir a porta. E o q eu fiz? Comecei a chorar claro! Não me machuquei, mas tbm não podia pagar aquele mico e todo mundo rir da minha cara. Fiz drama, chorei, permaneci deitada ali no asfalto por uns minutos, ficaram com tanta dó que não conseguiram rir! rsrs.
Não contei pra minha mãe por uns dias, até q ela me cobrou o recibo :S. Quando ela descobriu a verdade, ficou enlouquecida, e é claro que eu apanhei, e não foi pouco :(. Sei lá talvez minha mãe tivesse razão, aquela foi a forma dela expressar q eu estava errada principalmente pq eu menti. Hoje em dia se fosse com meu filho eu faria diferente.
Como ela ficou mto
Depois desse, consegui meu segundo emprego, trabalhava com programação de sites (com 16 anos), nessa época eu trabalhava de manhã e a tarde, e a noite estudava, já pagava a escola com meu próprio dinheiro. Eu estudava demais, não tinha tempo pra sair, fim de semana só queria saber de dormir e nada mais. Então não tinha tempo de namorar. Apelei para os 'namoros virtuais'. Naquela época o que pegava era o bate-papo e o ICQ (to velha,nossa!). Conheci alguns caras idiotas, um em especial q me apaixonei perdidamente. O garoto filho de uma puta, cachorro, safado e ordinário era mentiroso que doía, a bestinha aqui acreditava em tudo q ele dizia! Fiquei cega, surda, boba e retardada. Na época eu estava em um momento difícil, eu vivia deprimida, me cortava, e achava que o mundo estava contra mim, coisas de adolescente, claro! Até pensar em me matar já pensei. Eu vinha brigando muito com a minha mãe, na verdade eu só queria chamar a atenção, pena que ela não percebeu isso. Achava q minha rebeldia não tinha causa. As brigas, discussões se tornaram mto frequentes, a ponte da gente não se falar mais, não se olhar mais na cara e quando o fazíamos era pra discutir. Chegamos ao ponto dela não querer q minha irmã conversasse comigo pq não queria q eu a influenciasse mal :(. Até que um dia de manhã ela me disse: Raquel, se arruma. Nós vamos em um lugar...
Sabe pra onde ela me levou? Pra casa da minha mãe verdadeira (biológica), com a roupa do corpo, simples assim. Não tive tempo de me despedir de ninguém nem da minha irmã que eu tanto amava, não tive tempo de pegar minhas coisas, e muito menos de dizer: "Ei, essa é a minha vida, eu sou um ser humano, olha o q vc está fazendo comigo!". No caminho para lá, eu já sabia, na verdade eu sentia. Eu fui muito triste. Esse dia eu jamais vou esquecer 17/10/2002 eu estava com 17 anos.
Meu coração que já estava tão pequeno ficou esmagado. Eu senti revolta, ódio, mágoa, tristeza, todos os piores sentimentos juntos. Acho q são poucos que sabem qual é a sensação de ser adotado e depois 'devolvido'. Sabe aquela roupa q vc pega na loja e tem algum defeito e você leva pra trocar? Pois é! É uma dor terrível, um sentimento de rejeição... O choque foi grande. Eram lares diferentes, estruturas diferentes, lugares diferentes, enfim, tudo mudou!
O convívio com minha mãe bio, no início foi bom, meio atrapalhado mas bom. O problema era meu padrasto que bebia e fazia inferno! Acho que fiquei uns 6 meses na casa dela e aprontei das minhas tb, nada grave, nunca usei drogas, álcool nem fui 'Bruna Surfistinha' rs. Mas eu gostava do ROCK, de sair, ir pra barzinho, shows. Numa dessas eu sofri um acidente de MOTO, onde quase perdi a vida, só me salvei por causa do capacete. Quebrei perna, dente, clavícula e fiquei com o rosto esfolado. O que era ruim, ficou pior, pois minha auto estima q já era baixa, ficou no chão. Tive muitos problemas pra me relacionar depois disso (tenho até hoje). Na primeira vez q pude sair de casa após o acidente, estava com gesso ainda, fui pra casa da minha amiga e voltei após as 20hrs o combinado era as 20. Meu padrasto q estava de saco cheio de mim, viu ali uma oportunidade de me botar pra fora de casa! Fui expulsa, com perna quebrada e tudo. Minha mãe não fez nada pra impedir.
Duas vezes rejeitada! Com 18 anos...
Então tá... o que eu faço da minha vida agora? Perna quebrada, não tenho pra onde ir, não tenho pra onde correr, não tenho emprego, nada, não tenho nada. rs. Quem iria contratar uma semi aleijada para trabalhar? Que nem casa/endereço fixo tem? Era hora de crescer, amadurecer e seguir em frente.
Deixei todo meu orgulho de lado e fui ser babá! Trabalhava dia e noite sem folgas (não tinha folga, pq nem pra onde ir na folga eu tinha) pra ganhar R$150,00 reais por mês.
Morava e trabalhava no mesmo local. Fiquei lá por 4 meses e não ganhei nem a metade de um salário, trabalhei de graça um bom tempo, pelo menos tinha onde morar e comer. Saí de lá pq a avó da criança, nao achava justo eu ficar trabalhando sem receber, já que a mãe da criança não se importava em me pagar.
La vou eu de novo, sem ter pra onde ir... Nesse meio tempo, fui babá, diarista, pizzaiola.. me virei como pude, sempre com dignidade!
Até eu conhecer uma família que me ajudou demais, e por quem eu sou muito grata até hoje, são meus verdadeiros amigos e uma família para mim. Eu me senti acolhida e querida, trabalhei lá por um tempo, até o dia em que eu resolvi sair de lá para ir pra SP, ser babá novamente.
Minha vida começou a mudar. Conheci a Marina, mãe da Victória de quem eu fui babá por quase 2 anos, morávamos juntas, cuidei da Vicky como se fosse minha filhotinha, a gente brincava q eu era a mãe, e a Marina o pai rs. Somos amigas até hoje. Ali comecei a recuperar minha auto confiança. A Marina era muito querida comigo, me aconselhava, me sentia necessária e importante ao lado dela e da Vivi. Éramos uma família!
Mas eu sentia falta de algo, eu queria alguém, precisava ser amada. Então, lá vou eu de novo em busca do homem quase perfeito (na Internet é claro!) eu mal tinha tempo de sair!
Conheci algumas figuras, quebrei bastante a cara, um deles fugiu até pra Nova Zelândia e nem me disse Adeus. Tudo isso depois de me pedir em namoro. É pra surtar ou não? Eu fiquei me achando a pessoa mais feia, corna, boba, idiota, burra, pegajosa, sem graça, sem sal, sem mãe, sem pai do MUNDOOOOOOO, não necessariamente nesta mesma ordem. Comecei a achar q fui parida por um ET do planeta Marte e cuspida aqui na TERRA.
Pensei em várias coisas: a) me jogo da ponte b) viro lésbica c) tento outra vez.
Graças a Deus escolhi a alternativa C. Foi aí que numa linda noite de inverno eu conheci o meu marido, pai do meu filho, amor da minha vida, lindo, TUDO,oceano, gostoso, AMADO, delícia, lindo alto louro dos olhos azuis uis uis! Tocava guitarra, gostava de ROCK, informática, era gaúcho uiui... Conheci ele pelo ORKUT, numa comunidade, dei em cima dele CLARO, mandei recadinho e tudo. (isso é assunto para outro post). Ele me fez recuperar de vez a auto-estima, confiança e o amor pela vida. Me fez crer nas pessoas novamente.
Depois dele, as coisas só melhoraram pra mim, deixei de ser babá, me tornei professora de informática e depois programadora. Me reconciliei com minhas famílias de vez, hoje não
resta mágoa, apenas lembranças, e hoje sei que tudo aconteceu, porque tinha que acontecer. AMO MUITO minhas duas famílias, meu filho tem 3 avós! Sou agradecida por ter tido a chance de conviver com minhas duas mães.
Montamos nossa casinha, adotamos nossos filhinhos de 4 patas, e estávamos muito felizes. Em um belo dia, ficamos sabendo que ganharíamos um presente: VOCÊ, MEU FILHO AMADO!
Desde então, eu soube, que minha vida jamais seria a mesma, e que nunca mais, nunca mais mesmo, eu estaria SÓ novamente, pq tenho você pra completar o meu MUNDO.
Resolvemos mudar de mala, cuia e bichos para o Rio Grande do SUL, pra te criar aqui, mais perto da gente e da natureza.
Desde que você chegou, minha vida tem muito mais COR, mais sabor e mais cocô, e eu sou FELIZ e muito grata a você, por me fazer a pessoa mais realizada e completa. É por você meu pequeno Nicolas Queijo, que tenho mais força todos os dias! Por você, vou me esforçar pra ser a melhor mãe do 'NOSSO' MUNDO.
Papai e mamãe te amam muito muito muito. Estamos orgulhosos de ter vc em nossa vida!
13 comentário(s):
Nossa, quem vê cara realmente nem imagina o contexto! Guerreira vc hein? E se hoje a vida rsolveu te presentear com um filho lindo, é pq vc batalhou mt antes. PARABÉNS!
Nossa, nem sei por onde começar...
Sei como não é ter mãe, perdi a minha com 11 anos e fui criada com meu pai e meu irmão.
Quando eu tinha 15 anos meu pai se casou novamente, e eu não me dava nada bem com minha madrasta, saia, bebia, usei drogas, fiz de TUDO, conheci gente que não prestava, fui expulsa de casa ,voltei, resolvi ir embora, e depois voltei novamente.
E olha, é complicado né?
Depois disso tudo, a gente fica com um medinho de criar nossos pequenos "errados" com medo de cometer os mesmos erros, ou não compreende-los!
Mas menina, você é muito guerreira! Veja só, depois disso tudo, vc ta ai, com um filho, casada, em outro Estado E NÃO PRECISA MAIS USAR DUAS CALÇAS!!!! \o/
Beijão
=*
Lindo relato, emocionado. E o mais bonito é ver a beleza com que vê retira de tudo isso e segue adiante, dando amor a seu filho. Parabéns! É isso aí, vida que segue... então, que seja com alegria sempre.
Grande beijo!
Nessa pois é! Por isso eu não gosto de gente que vem apontar o dedinho na minha cara e fazer qualquer julgamento ao meu respeito, sem ao menos me conhecer!
Kira, família é uma coisa tão complicada as vezes né? Eu torço e me esforço pra não cometer as mesmas coisas com o meu filho. Eu quero conhecer ele por inteiro, quero saber qdo está triste, qdo tem algo lhe incomodando. Não quero jamais q aconteça a ele, o q me aconteceu. Comunicação é tudo. Falhar hora ou outra nós vamos né? O Importante é cair e levantar(mas não beber) rs.
Glau, hoje consigo ver essa história com olhos mais brandos, pq eu cresci, amadureci, mas na época me causou mto angústia e revolta, não vou ser hipócrita de dizer q não! :(
ISSOOO AII..
POR ISSO Q ELAA EH MINHA TEACHER MAIS MASSAA
E EU SOU O MELHOOR ALUNOOO
Adorei sua história. Você é muito batalhadora e guerreira, parabéns. Além de tudo isso ainda é muito sensível, compreensiva e companheira. Muito obrigada por seu ombro hoje! Um abraço e um beijão!!
Aê! dá um filme! Gente!
Estou em choque!
Mas imensamente feliz por vc estar aqui hj conosco, dividindo seu carinho e bom humor (neutraliza o meu). Vc está de parabéns!
Ah! me apresenta um cunhado lindo, loiro, alto do RS tb! kkkkkkkk Podemos ser vizinhas...
kkkkkkk brincadeira hein?
Beijos!
Não é atoa que vc é ariana...rs, arianos sempre vencem no final ;)
FICA COM DEUS!
Meu Deus, que história, estou comovida aqui. Mas saiba que as melhores pessoas surgem das adversidades e ver o amor que você tem por sua família (inclusive a peluda)só prova isso, que você cresceu e se tornou uma adulta maravilhosa!
Força sempre, te admiro muito mesmo!
28 de março de 85!!!!!!!!!! menina! somos do mesmo exato dia da vida!
amei, me empolguei e ainda nem terminei de ler o resto. ahahahahha
Olá Raquel, acabei de conhecer seu blog. Fiquei impressionada com sua história, vc é uma pessoa merecedora de todas as honras, pois, apesar de todas as adversidades da vida, ergueu a cabeça e seguiu em frente sempre buscando o seu melhor. Quem bom que isso serviu pra vc ser uma mãe muito amorosa e dedicada a sua família! Sua história é um exemplo de que com força de vontade e determinação, podemos passar por tudo e ainda sorrir. E a vida te recompensou por isso!! bjs!!
Prazer em conhece-la.
Já virei fã hahaha
Hoje vc me ensinou muito com sua história, sua luta e suas conquistas.
Que vc seja cada dia mais feliz!!
Xerãooo
Oi, Raquel...Não sei se você ainda acessa este blog, mas depois de ler o seu texto, tive certeza que era você mesma. Não sei se você vai se lembrar, mas lá pelo ano de 2001, você tinha um blog hospedado no HPG, chamado "Nirvana Contageous", certo? E você tinha, na seção de links do seu site, um link para a página de uma banda chamada "Little Joe", de Guarulhos, não é? Pois bem, eu era o baixista da banda e quem fazia os sites da banda (muito toscos, por sinal).
Pois é: quando conversávamos através do livro de visitas do site, não tinha a mínima ideia da sua história. Hoje, passado mais de dez anos daquela época, posso dizer que você é uma batalhadora e que merece toda a sorte que esta vida possa oferecer. Desejo tudo do melhor pra você e sua família e, se possível, vamos restabelecer contato outra vez. Eu ainda continuo por aí com as minhas bandas, embora não mais com o Little Joe, que nem existe há mais de 8 anos.
All the best!
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